O gigante Marcelo Melo

Ser membro de uma família de tradição no tênis nem sempre é garantia de caminho fácil e uma carreira vitoriosa e o personagem principal dessa história sabe bem disso.

Daniel Melo, irmão de Marcelo, que se aposentou do tênis em 2008, foi um duplista que teve como ponto áureo da carreira um título de duplas do Brasil Open. E talvez por sua influência, Marcelo tenha optado por focar sua carreira nas duplas, já que em simples os resultados não vinham sendo satisfatórios.

Profissional desde 1998 foi quase uma década depois que teve o ponto de virada de sua carreira. Passou a se dedicar exclusivamente as duplas a partir de 2007, quando se juntou ao conterrâneo e amigo André Sá. Logo na disputa do primeiro Grand Slam juntos, em Wimbledon, a dupla passou por uma maratona de seis horas contra Paul Hanley e Kevin Ulyett na segunda rodada, com direito a 28/26 no quinto set, parando apenas nas semifinais.

Era apenas o início de uma parceria que também alcançaria as quartas-de-final do US Open. Gostava de contar suas histórias em um blog chamado “Blog da Girafa”, apelido que ganhara no circuito devido aos seus 2,03m de altura. Entre casos curiosos e bem humorados, em certo texto, conta sobre o dia que jogou uma partida-treino, de simples, com Marat Safin num torneio e estava ganhando de 4-2 do russo, quando o tempo de quadra havia acabado. “Acreditem se quiserem”, brincou.

Em 2008 quase disputou pela primeira vez o Masters Cup (hoje chamado ATP Finals) que reunia as oito melhores duplas do mundo. Melo/Sá ficaram na nona posição do ranking e muito se deve ao período inativo de Melo que se contundiu após a disputa de Wimbledon daquele ano.

Com o fim da parceria com Sá, Marcelo se juntou ao amigo de infância e também mineiro Bruno Soares e juntos conquistaram quatro títulos da ATP. Protagonizaram também um dos momentos mais marcantes da história do tênis brasileiro na Copa Davis, tendo superado a dupla formada pelos irmãos Bryan, considerada por muitos a melhor da história, em confronto épico de cinco sets, realizado em Jacksonville, nos Estados Unidos.

Em 2012 começa a parceria com o croata Ivan Dodig e mais uma reviravolta na sua carreira. Formando uma das duplas mais fortes do mundo, conquistam resultados consistentes incluindo a disputa consecutiva de três ATP Finals, alcançando a final em 2014, com derrota nos detalhes para os irmãos Bryan.

Em 2015, um ano mágico. Coroado com o primeiro Grand Slam em Roland Garros, após uma dura vitória contra os irmãos Bryan na final (estando uma quebra abaixo no set decisivo), e o tão sonhado posto de número 1 do ano sucedendo os irmãos Bryan que o ocupavam desde 2013.

“Estou muito feliz por ter chegado ao número 1. É a principal conquista de uma carreira que começou desde pequeno. Passei por muitos obstáculos e desafios. Ainda preciso parar e refletir um pouco sobre o significado disso tudo" falou na época. Marcelo Melo terminaria o ano com seis títulos de ATP e sua melhor temporada na carreira.

No ano seguinte ele e o croata não conseguiram repetir o sucesso do ano anterior e decidem seguir novos rumos e, assim, o mineiro se junta ao polonês Lukasz Kubot, que obtivera sucesso em outras oportunidades isoladas.

Esse ano de 2017 não começou de maneira fácil para a nova dupla, que amargou inesperadas quedas em rodadas iniciais, colocando em xeque a continuidade da parceria. Porém, apostando no sucesso futuro, mantiveram-se unidos, e a parceria começou a funcionar em março, no Masters 1000 de Indian Wells, em que foram vice-campeões do torneio. Na semana seguinte, no Masters 1000 de Miami, a dupla conquistou o título.

Em maio, conquistaram o segundo Masters 1000 do ano, em Madrid. Melo e Kubot começavam a juntar pontos suficientes para brigar pelo número 1 do ranking mundial, mas faltavam resultados melhores em Grand Slams: eles haviam chegado somente à 3ª rodada no Australian Open, e 2ª rodada em Roland Garros.

Chegando à temporada de grama no meio do ano, Melo e Kubot realizaram um feito incrível: venceram todos os jogos, ganhando o ATP 250 de s-Hertogenbosch, o ATP 500 de Halle, e, por fim, em um chave difícil, o inédito título em Wimbledon, vencendo 4 dos 6 jogos em longas batalhas de 5 sets, incluindo a final. Melo se tornou número 1 do mundo novamente quando chegou à final em Wimbledon, e se tornou o primeiro brasileiro a conquistar este Grand Slam desde Maria Esther Bueno, um desfecho épico para uma temporada perfeita na grama.

Os feitos de Marcelo Melo no tênis são tão grandes quanto sua altura e seu coração e crava de vez seu nome na história do tênis brasileiro, tão carente de ídolos desde a aposentadoria de Gustavo Kuerten. Chegar ao posto de número 1 do mundo e colocar a bandeira brasileira novamente no lugar mais alto enche de esperança de maior reconhecimento ao esporte e aos seus ídolos.

E o que virá pela frente? A conquista de seu torneio preferido e realização de mais um sonho, lhe darão um combustível extra para tentar outros dois objetivos que lhe escaparam por pouco: o título do ATP Finals e quem sabe, uma medalha olímpica para o Brasil. Se depender de sua vontade e garra as conquistas daqui para a frente só aumentarão.

Nill Cavalcante

Relações públicas e especialista em mídias sociais e corresponsável pelo blog da Lptennis. Seu sonho é parar de perder pontos por foot fault e sair da quadra com a mesma calma que entrou

São Paulo, Brazil http://Lptennis.com

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