Como vencer alguém melhor: Conheça os tipos de jogadores e como ganhar deles

O ano de 2017 revelou para o tênis algumas surpresas, as chamadas zebras, que não costumam a dar as caras em um esporte que a disparidade técnica e tática está tão evidente. Em esportes coletivos, esse fato - um time menor ou menos técnico surpreender um time mais favorito - é mais corriqueiro.

Logo no primeiro Slam do ano, na Austrália, o uzbeque Denis Istomin, então 117º colocado do ranking, eliminou de forma surpreendente o hexacampeão Novak Djokovic, logo na segunda rodada, em uma batalha de cinco sets.

Um resultado incomum, ainda mais por se tratar de uma partida decidida apenas no quinto set, na qual o tenista com maior repertório técnico geralmente se sobressai.

Roger Federer também não escapou do fantasma da zebra, logo após faturar seu 18º Grand Slam. Em Dubai, local no qual já faturou sete títulos, o suíço foi derrotado pelo russo Evgeny Donskoy, 116º colocado no ranking mundial, também na segunda rodada.

Nem mesmo o número 1 do mundo, o escocês Andy Murray teve vida fácil esse ano frente aos tenistas com ranking baixo. No Master de Indian Wells foi surpreendido pelo qualifier canadense Vasek Pospisil, apenas o 129º do mundo. Andy também colecionou derrotas para tenistas menos badalados como o alemão Mischa Zverev e o espanhol Albert Ramos Vinolas.

No cenário apresentado, cabe a discussão de como ganhar de alguém melhor, tanto no âmbito profissional, quanto no amador.

Entre os profissionais pode-se observar que quando um resultado inesperado acontece é devido a uma combinação de fatores, o tenista favorito não estar em um dia bom e seu adversário aproveitar para jogar “solto” e sem tanta pressão, por exemplo.

“Para ganhar desses caras, não podemos jogar bonito. Esqueça aquela história de “priorizar o belo jogo” e “o mais importante é o espetáculo”. Não! Meta a mão na bola. Jogue no erro do adversário. Precisamos jogar essencialmente na deficiência do nosso oponente.

Todo cara, mesmo o Federer ou o Nadal, tem uma maneira de jogar e uma deficiência. Não existe atleta perfeito. Temos de saber qual é esta fraqueza. Devemos nos programar antes do jogo, conversar muito com o nosso técnico e precisamos estudar incansavelmente o nosso adversário.

Essa é a lição de casa. Precisamos estudá-lo e conhecer os pontos fortes e os fracos. Devemos montar uma estratégia que evite destacar suas qualidades e que evidencie as suas fragilidades. Essa é a tática certeira!” afirma o ex-tenista Fernando Meligeni, que em sua carreira venceu nomes como Pete Sampras, Andy Roddick e Marcelo Ríos.

E no cenário do tênis amador, o que o tenista com menos recursos que seu adversário pode fazer para tentar a vitória? Como vencer os famosos “baloeiros” ou os caras que batem muito forte e buscam a definição rápida dos pontos?

Vamos analisar alguns estilos e cenários, abordando possibilidades que podem ser exploradas.

O primeiro passo é acreditar na vitória. Muitos tenistas já entram em quadra receosos e descrentes da possibilidade de vitória, esse pensamento é um dos grandes trunfos dos profissionais melhores ranqueados, saber desestabilizar seu adversário antes mesmo do início do jogo.

Abaixo alguns exemplos de tipo de jogadores e a melhor estratégia para superá-los

Jogadores de fundo de quadra

Se o jogador que for melhor que você é um típico jogador de fundo de quadra, se prepare para correr muito e jogar com alguém de baixo percentual de erros não forçados.

Exímios trocadores de bola, gostam de jogar atrás da linha de base e bater sempre uma bola a mais, forçando o erro do seu oponente, apoiados em um físico invejável fazendo-os ir em todas as bolas.

No nível amador a tática desses jogadores se baseia em jogar bolas altas no meio, pois isso lhe dará tempo de voltar e se recompor. Se ele enxergar algum ponto fraco no seu jogo pode ter certeza que a maioria das bolas irão ali. Defensivos, eles usarão sua força para contra-atacar. Para vencer uma partida contra um jogador dessa característica o mais importa é manter a paciência e estratégia.

Saiba que erros irão acontecer, mas não há espaço para qualquer tipo de desespero. A chave para a vitória é a variação de jogo, tirar seu oponente da zona de conforto com bolas longas, curtas, slices, drop shots trazendo-o para a rede e testando seu voleio.

Como se movimentam muito bem lateralmente, tente o contrapé e tire seu equilíbrio. Na hora certa suba à rede para o voleio, faça com que ele tenha que elevar o nível do seu jogo e utilizar golpes melhores. O foco na estratégia é fundamental.

Jogadores com estilo agressivo

Esse tipo de jogador utiliza bolas pesadas para disparar winners. Jogam dentro da quadra e pegam a bola na frente e na subida, tentando impor seu ritmo aos adversários.

Por arriscarem tanto, comentem muitos erros, que podem ser compensados pelo alto número de bolas vencedoras. Buscam também dominar todos os pontos a partir da segunda bola, pressionando seu oponente e o deslocando para trás.

Jogadores que ditam o ritmo geralmente têm bolas com mesmo peso, altura e velocidade. A grande maioria não tem uma movimentação boa e não gosta de bater desequilibrado e na corrida ou andar para trás perdendo o domínio da sua zona de conforto. Por não serem defensivos ficam vulneráveis em partidas mais longas.

A tática para vencer um jogador com essas características é quebrar o ritmo, utilizar diferentes efeitos e ângulos para que ele não se sinta confortável para impor seu jogo. No nível amador a chave é ser paciente, pois os erros irão surgir em algum momento.

Sacadores

Hoje em dia os antigos adeptos ao saque-voleio viraram apenas sacadores, é muito raro vermos no circuito jogadores que fundamentam sua estratégia 100% no saque e voleio.

O alemão Mischa Zverev, citado no início do texto após sua vitória inesperada sobre Andy Murray, se utiliza desse quase extinto e plástico estilo.

Os sacadores baseiam seu jogo no principal fundamento do tênis, buscando a definição rápida dos pontos e o menor número de trocas de bolas possível. Geralmente são tenistas mais altos e com menor mobilidade no fundo da quadra.

Para vencer um sacador você deve ter boa leitura do saque e tentar devolvê-lo a qualquer custo, pois isso abalará sua confiança. Varie a devolução e opte pelas bolas baixas, o calcanhar de Aquiles de tenistas altos, isso impedirá que eles comandem de cara os pontos.

Se ele for para rede tente usar bolas baixas e anguladas, mescle com lobs. A chave aqui é evitar ser previsível. Estudar seu oponente antes do jogo pode lhe dar alguma vantagem para traçar a melhor estratégia, tente identificar falhas e golpes que não são tão eficazes para explorar durante o jogo.

A consistência é uma importante arma quando se joga com alguém melhor, isso colocará uma dúvida na cabeça de alguém que antes acreditava na vitória certa. O jogo mental faz parte do contexto e tem grande importância, se mantenha firme nos primeiros games do jogo, venda caro cada ponto, a partir do momento que seu oponente começar a pensar muito ou mudar sua estratégia, você terá uma grande chance de surpreender.

E você já ganhou de alguém melhor? Se identificou com os estilos que falamos? Conte aqui nos comentários e marque aquele amigo que você teve uma vitória inesquecível

Nill Cavalcante

Relações públicas e especialista em mídias sociais e corresponsável pelo blog da Lptennis. Seu sonho é parar de perder pontos por foot fault e sair da quadra com a mesma calma que entrou

São Paulo, Brazil http://Lptennis.com

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