Backhand de uma vs duas mãos. Qual é o melhor?

Qual é o melhor backhand? Essa é uma pergunta bastante comum no meio do tênis.

Apesar de existir uma tendência atual pelo estilo de duas mãos, a plasticidade do backhand de uma mão ainda nos faz pular do sofá quando executada com maestria. Neste post citamos tudo o que você precisa saber para ter um amplo entendimento deste golpe, amado por uns e temido por outros.

Um pouco de história

Anteriormente a 1970 o backhand de uma mão reinava. Ninguém sequer falava em usar duas mãos para executar essa batida. Essa maneira de bater na bola não era apresentada nem mesmo em livros ensinando a mecânica do esporte.

O backhand de duas mãos começou a ganhar popularidade apenas há aproximadamente 40 anos. Na edição de Wimbledon de 1974, Jimmy Connors e sua então namorada Chris Evert, venceram as edições masculina e feminina do torneio usando esse estilo. Já a partir de 1976, Bjorn Borg venceu o prestigiado evento por 5 anos consecutivos, também usando as duas mãos.

Chegando aos anos 80, essa polarização começou a aumentar. Muitos dos principais tenistas ainda batiam no revés com apenas umas das mãos, como John McEnroe, Stefan Edberg e Ivan Lendl. Porém, diversos ícones do esporte já estavam se utilizando de ambas as mãos para bater na bola, caso de lendas como Jimmy Connors, Bjorn Borg e Mats Wilander.

Já do lado das mulheres, também na década 80 uma das principais rivalidades era caracterizada pelos estilos opostos de backhand. Martina Navratilova com seu slice de backhand agressivo contra o eficiente backhand de duas mãos de Chris Evert.

Apenas a partir dos anos 90, jogadores com backhand de uma mão passaram a se tornar uma minoria.

O que mudou a tendência

Um dos motivos bastante defendidos para o declínio do backhand de uma mão é a maior curva de aprendizado em relação estilo oposto. O golpe é tecnicamente bastante desafiador.

O doutor Jack Groppel, fundador da Johnson & Johnson’s Human Performance Institute, analisou a biomecânica de ambos os estilos em sua dissertação no final dos anos 70, e observou que enquanto o backhand de duas mãos exige a coordenação de 4 partes do corpo humano (quadril, pernas, tronco e braços), o backhand de uma mão exige a coordenação de 6 (quadril, pernas, tronco, braço, antebraço e mão). Ou seja, a versão em que se utiliza as duas mãos é significativamente mais simples de ser masterizada.

Outros fatores, como a tecnologia, também tiveram bastante influência nessa mudança de tendência. As raquetes atuais, mais leves, permitem aos jogadores produzir de 20% a 25% mais top spin do que era alcançado apenas uma geração atrás. As cordas de polyester, comuns nos dias de hoje, também ajudam a criar tremendo spin. Como exemplo dessa evolução, o forehand do ex-número um Pete Sampras atingia em média 1900 rotações por minuto, enquanto jogadores como Novak Djokovic e Roger Federer alcançam rotineiramente as 3000 rotações. Já Rafael Nadal chegou a ter um forehand registrado em 4900 rotações por minuto.

Levando-se em consideração que o jogador que possui o backhand de uma mão tende a apresentar mais dificuldade contra bolas mais altas no seu revés, o alto spin do tênis atual acaba se tornando uma arma poderosa contra jogadores deste estilo. Muitos defendem que foi explorando esse golpe que Nadal conseguiu seu recorde de 23-11 contra Federer.

O backhand de uma mão também é mais vulnerável à devolução dos potentes saques dos tenistas de hoje. Nenhum profissional desse grupo figura entre os 10 melhores do circuito no quesito porcentagem de games de devolução ganhos ou de break points aproveitados.

Em outro estudo realizado em 2015, após uma análise envolvendo diversos tops da atualidade, foi verificado que entre que os jogam com uma mão, o slice é utilizado em 54% das vezes para devolver o primeiro saque e 32% para devolver o segundo. Já os que jogam com as duas mãos retornam com slice em 20,5% e 2,5% respectivamente. Até mesmo Wawrinka, com seu potente backhand, se utiliza do slice em 68% das devoluções de primeiro saque e 40% de segundo.

Considerando que neste estudo foi demonstrado que devoluções “chapadas” ou com top spin são levemente superiores ao slice, isso ratifica a superioridade de se utilizar ambas as mãos nesta situação de jogo.

Entretando, é importante lembrar que não existe regra. Embora seja uma tendência que jogadores que batam com as duas mãos tenham mais facilidade com bolas altas, existem aqueles do estilo oposto que conseguem ser muito eficientes com essa situação de jogo, como o nosso ex-número um do mundo Gustavo Kuerten.

Para uma melhor compreensão do ritmo com que se deu essa evolução, o gráfico abaixo apresenta o crescente número de Grand Slams vencidos nas últimas décadas por quem se utiliza das duas mãos.
Uma versus duas mãos

Como é hoje

No início de janeiro de 2017, apenas 20 jogadores entre os 100 primeiros do mundo possuem backhand de uma mão. O confronto entre praticantes com essa caraterística tem se tornado tão raro que em 2014 apenas 137 partidas de nível ATP em que ambos se utilizavam desse golpe foram jogadas.

O estudo anteriormente mencionado também atenta para o fato de que que a idade média dos remanescentes desse estilo é de 28 anos e 63 dias. O que demonstra que quando a atual geração pendurar a raquete, esse tipo de batida poderá se tornar ainda mais difícil de se encontrar no circuito profissional.

Felizmente, jogadores como Wawrinka, Federer, Gasquet e Dimitrov mostram que ainda é possível figurar entre os melhores do mundo se utilizando dessa versão mais clássica, e que este ainda pode ser o golpe que mais problemas causa aos seus adversários.

Mas e então? Qual backhand devo escolher?

Algumas vantagens que podem ser citadas sobre cada um dos estilos são:

Backhand de uma mão:

  • maior alcance
  • potência
  • disfarça melhor a escolha do golpe

Backhand de duas mãos:

  • mais controle
  • pode bater em open stance
  • raquete mais estável no momento do contato

Porém, não existe uma ciência exata que indique qual a melhor escolha para um determinado praticante, e diferentes especialistas se utilizam de diferentes critérios a fim de orientar um jogador sobre qual das opções escolher.

No fim das contas, por mais que alguém tente te convencer que você deve escolher um dos estilos pelo motivo x ou y, a decisão final é sua, seja optando pela batida em que se sente mais confortável, por seu biotipo ou qualquer outra razão.

Conclusão

Não existe um estudo que consiga concluir que um estilo de backhand é melhor do que o outro. O que pode ser observado é que a maneira como o tênis é jogado hoje torna o backhand de uma mão um golpe mais vulnerável, resultando daí o declínio deste golpe em favor do estilo oposto.

Entretanto, o recente sucesso de Wawrinka, aliado a jovens promissores como Dominic Thiem e Grigor Dimitrov, podem dar esperança aos amantes desse estilo de que é possível que a tendência se reverta em um futuro não tão distante.

E você, qual seu estilo de backhand preferido? Comente quais foram os motivos que te levaram a esta escolha.

Rafael Fachin Soares

Sócio da Lptennis. Atua há 11 anos no mercado desenvolvendo sistemas críticos e de alta disponibilidade no Brasil e EUA. Ainda em busca de sua primeira sequência de duas vitórias.

São Paulo, Brasil http://Lptennis.com/rafael

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